Caprichoso: Brinquedo que canta seu chão

O Boi Caprichoso foi um sonho plantado na intimidade de fé de uma família que largou sua casa na busca por dias melhores. Migrantes, irmãos, sonhadores, que, embevecidos pelo dom da gratidão, construíram seu brinquedo de pano para pagar a promessa a um santo menino.

Agora, o sonho dos Cid já não é guardado na intimidade afetuosa da bagagem da esperança; ele tornou-se coletivo e é comungado por uma comunidade amazônica inteira. A poeira do chão, que se misturava às fagulhas da fogueira e espiralava o perfume da lenha queimada, recendeu outros sentidos e, carregada nos braços do vento, levou a brincadeira de boi ao colo das tantas famílias que conduziram esse terno brinquedo para além das fronteiras da ilha.

O brinquedo, feito de amor e pano, tornou-se talismã popular que atrai multidões por sua força e arte daqueles que brincam e amam. É arquétipo de sonhos e lutas, é amuleto de revolução de quem fez do brincar a guerra contra tudo aquilo que freia a evolução de um povo; é uma entidade viva onde habitam os desejos, anseios e aspirações de uma gente que resiste contra tudo para sobreviver em uma Amazônia esquecida e disputada por aqueles que tentam destruí-la por poder.

É no desejo de dias melhores que aquela velha armação de cipó e sarrapilha, de olhos tirados dos fundos de garrafas de vidro e coberta pelo couro preto de veludo, que Parintins e seu criativo povo redefiniu seus próprios sentidos, conectando mulheres, homens, crianças e idosos das muitas gerações, bichos, árvores e rios, para tornar-se afago, amparo, remédio, cura, reavivamento, sublimação, ponte, caminho, esperança e tantos outros adjetivos que reverenciam a diversidade e polissemia num único ser, que pertence ao povo e canta seu chão sagrado ao mundo todo.

Afinal, o brinquedo Caprichoso também é canto, arte que ecoa da boca do povo na inteligência, na inventividade, numa alquimia sentimental que faz ecoar as barreiras e ultrapassar a razão, numa catarse apaixonada onde o corpo se entrega para recender a chama viva da paixão. É arte que manipula os sentidos, dando vida ao sonho num canto liberto, gerador de emoção, que faz os olhos transbordarem com o brilho das estrelas em noite junina.
É o chão, organismo vivo, nosso corpo e espírito, que, debaixo de nossos descalços pés, guarda os segredos antigos do mundo e do futuro, nossa terra-floresta, território vivo que, na contramão do tempo, é diariamente atacado pelo falho sistema econômico em que vivemos. Chão da vida, berço sagrado e colo materno de nossa existência.
Esse é o Caprichoso 2026: um brinquedo tecido de sonhos, arma contra o medo, instrumento revolucionário do amor e da arte.

Conselho de Artes do Boi Caprichoso

Sócios do Caprichoso aprovam atualização do Estatuto, modalidade sócio-torcedor e modernização do sistema eleitoral

Na noite desta sexta-feira (30), a Associação Cultural Boi Caprichoso realizou uma Assembleia Geral Extraordinária que reuniu Conselhos, Comissões, Administradores, sócios fundadores, contribuintes e beneméritos. O encontro tratou de pautas decisivas para o futuro da entidade, resultando em avanços que modernizam a gestão e reforçam a proteção ao patrimônio do Boi.

Entre os principais pontos, a Assembleia aprovou a atualização do Estatuto Social, cuja base estrutural de 2015 foi mantida, mas com importantes inovações. Termos defasados, como a palavra “índio”, foram substituídos por “povos originários”, adequando a linguagem à legislação e ao respeito cultural vigente.

Também foram incluídos dispositivos de proteção ao patrimônio do Boi, permitindo que a Associação cobre dos seus gestores a devida responsabilização por danos causados, seja por dolo ou culpa.

Outro avanço foi a aprovação da implantação do sistema eletrônico de votação, com previsão expressa para uso de urnas eletrônicas. Foram incluídos diversos artigos que regulamentam a forma de realização de eleições eletrônicas, assegurando maior transparência.

O Conselho de Ética deixou de ter apenas um artigo no Estatuto e ganhou um capítulo exclusivo, além de um anexo específico com regras claras de funcionamento. A novidade define os procedimentos a serem seguidos em caso de denúncias, tornando o processo mais transparente e disciplinado.

Foi criada a Diretoria Ambiental, uma inovação importante que dialoga com o compromisso sustentável do Caprichoso, especialmente após a aquisição da máquina de reciclagem de isopor, reforçando a responsabilidade socioambiental da entidade.

Paulino Produções

Sócio-torcedor e sócio contribuinte
A Assembleia aprovou a regulamentação da nova modalidade de Sócio-Torcedor, já prevista no Estatuto anterior, mas que não possuía regras claras de ingresso. Agora, com o Anexo 2, há um regulamento específico para esse tipo de associado.
Além disso, foi aprovada a abertura de novas indicações para sócios contribuintes, ampliando o quadro associativo. Também ficou definido o reajuste da jóia do sócio contribuinte, que passa a corresponder a 25% do salário mínimo vigente.

“O novo Estatuto moderniza a Associação, blinda o Boi contra qualquer má gestão, fortalece a responsabilização dos gestores e valoriza ainda mais os nossos sócios. Estamos entregando um documento atualizado com as leis vigentes, que projeta o Caprichoso para o futuro sem perder suas raízes”, destacou o presidente Rossy Amoedo.

 

Contas do Caprichoso no 2º ano da gestão de Rossy e Diego são aprovadas por unanimidade

As contas da gestão do presidente Rossy Amoedo e do vice-presidente Diego Mascarenhas, referentes ao período de Agosto de 2024 à Julho de 2025, foram aprovadas por unanimidade durante assembleia realizada na noite desta quarta-feira (27/08), no curral Zeca Xibelão. A reunião contou com a presença de sócios, membros da diretoria e do Conselho Fiscal e confirmou o êxito administrativo da atual diretoria, que registrou movimentação financeira de R$ 24.899.642,64 e superávit de R$ 105.402,58.

O Conselho Fiscal, presidido por Rosa Cursino e composto por Claudomiro Carvalho e Tarcísio Coimbra, validou os demonstrativos apresentados pelo contador Márcio Ribeiro em conjunto com o presidente, reforçando a transparência e a responsabilidade da gestão.
Durante a assembleia, Rossy Amoedo afirmou que estar à frente do Caprichoso é uma honra e uma grande responsabilidade. Segundo ele, sua volta ao Boi foi motivada pelo sentimento de devolver à agremiação tudo o que recebeu ao longo da vida. O presidente destacou que, além de realizar os melhores investimentos dentro da Arena, a gestão também se dedicou a ações estruturais e sociais, como a reforma da Escolinha de Arte, a contratação de ônibus para transporte dos dançarinos, o fornecimento de calçados a quem precisava, a recuperação da cobertura do galpão e a formação de um patrimônio em materiais que já se aproxima de R$ 5 milhões, legado que ficará para a próxima administração.
Para ele, o objetivo sempre foi valorizar quem faz a cultura acontecer: “Esse dinheiro vem para cá para a produção do espetáculo, mas chega até os fazedores de cultura, naqueles que empurram alegoria, que pintam, vigiam e ensinam. Nos preocupamos em fazer o Caprichoso crescer, avançamos no ano passado, avançamos este ano e em 2026 vamos continuar avançando, sem recuar um minuto”, afirmou.

O presidente também destacou a importância de investimentos em inovação, como a máquina para reciclagem de isopor, que transforma toneladas de resíduos da produção de alegorias em novos insumos, reduzindo impactos ambientais e custos logísticos. Para ele, algumas decisões podem parecer gastos, mas são estratégias de longo prazo para fortalecer a estrutura e a sustentabilidade do Boi.

Ao se dirigir à Nação Azul e Branca, Rossy enfatizou o compromisso da gestão com a responsabilidade, a transparência e o respeito aos recursos públicos e privados. Ele também pediu união da diretoria e da torcida até a eleição de 2026, que será a primeira com mais de 5 mil sócios aptos a votar. “Tudo que me propus a fazer ao Caprichoso, eu fiz com dedicação. O que entregamos foi visualmente incomparável, fruto do trabalho de artistas, conselheiros e colaboradores que se doaram sem medir esforços. Que possamos continuar unidos, porque o que importa é o orgulho do Boi Caprichoso, que pertence a todos nós”.

A assembleia foi transmitida ao vivo pelas redes sociais oficiais do Boi, reforçando a transparência e permitindo que toda a torcida acompanhasse.

Campeão da Opinião Pública: Presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, declara que “o Festival precisa de respeito”

Após notas baixas de jurados denunciados à comissão julgadora, antes do início da disputa, o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo e a diretoria se retiraram da apuração e receberam o apoio da nação azul e branca aos gritos de “tetracampeão”. Considerado campeão pela opinião pública, o Caprichoso não compactuou com “o julgamento corrompido” dos dois jurados que tinham sido apontados: Marcos dos Santos e Hylnara Anny Vidal.

Pelas ruas da cidade, a nação azul e branca caminhou até o curral Zeca Xibelão sobre o brado de tetracampeão. Ao longo do percurso, cada vez mais aumentava o mar de pessoas que se juntava à comemoração do tetracampeonato conquistado na arena do Bumbódromo.

No curral, Rossy expôs para todos os bastidores que comprometeram o resultado do Festival. Os jurados denunciados pelo Caprichoso foram os que mais descontaram pontos dos itens azulados, prejudicando diretamente o resultado do Festival de Parintins. Rossy Amoedo afirmou que a comissão julgadora foi omissa e conivente com o que ele classificou de “desrespeito com o Festival”.

“Eu queria transferir a culpa desse julgamento à comissão julgadora. A primeira lista dos jurados vazou, aí veio a segunda. Nós mandamos um ofício apontando os dois jurados que fizeram essa palhaçada. Pedra combinada e marcada”, declara.

Segundo Rossy, o bumbá teve conhecimento de um esquema que iria corromper as notas desses jurados apontados. “Lá atrás vazou uma informação: me diz qual a nota que eu tenho que dar e qual a justificativa que eu tenho que escrever”. Era dessa forma a condução do julgamento denunciada por Amoedo e pelo Boi Caprichoso.

Rossy afirmou que vai continuar lutando e defendo o Festival de Parintins pela importância que ele tem na vida dos parintinenses e de todo o estado do Amazonas. “Nós não podemos deixar o festival sucumbir com o potencial de investimentos que nós temos no nosso município… Nós estamos falando de dedicação, de amor, de gestão de comprometimento com a coisa pública, com recursos públicos, com os patrocinadores”, explica o presidente.
O Caprichoso apresentou três espetáculos apoteóticos, com alegorias e fantasias marcadas como as melhores do festival, enquanto o boi contrário contabilizava inúmeros erros, incluindo alegorias que caíram na arena.

“Nós somos o boi tetracampeão da opinião pública e de muitos torcedores deles”, declarou o presidente Rossy Amoedo. O presidente declarou que vai pedir a nulidade do julgamento.

Caprichoso eleva padrão de espetáculo na segunda noite do Festival de Parintins

Com a noite intitulada “Kizomba, a retomada pela tradição”, o Boi Caprichoso elevou ainda mais o padrão de apresentação nesta segunda noite do 58º Festival de Parintins. O segundo espetáculo do bumbá mostrou a grandiosidade do projeto de arena “É Tempo de Retomada” com alegorias gigantescas, performances de itens primorosas e coreografias impecáveis.

A apresentação foi uma grande kizomba (festa, celebração) em defesa dos povos originários, em especial, o povo negro da Amazônia, uma retomada pela ancestralidade. Imponente e impactante, o bumbá trouxe pela arte diversas lutas, resistências e festividades que retratam a cultura amazônica.

“É tão bom quando a apresentação é esplendorosa e magnifica como foi a apresentação do Caprichoso. A gente vê os brincantes confraternizando, felizes, saindo leves. Isso dá um sentimento de dever cumprindo. Isso é muito bom! O Caprichoso sendo Caprichoso!”, avalia a conselheira de arte, Socorro Carvalho.

Kizomba

O primeiro momento alegórico apresentou a Figura Típica “Marandoeiros e Marandoeiras da Amazônia”, exaltando os cantadores de histórias, responsáveis por manter e passar a cultura pelas gerações. Contadores como tia Dora, Seo Dray, o pedreiro, Adolfo Lourindo, Julita Cid, Mestre Waldir Viana, Marujo Marina, dona Siloca e Coracy foram homenageados.

O talentoso artista Alex Salvador criou um dos momentos mais empolgantes da noite com a lenda amazônica “Sacaca Merandolino: o encantador de Arapiuns”. O módulo alegórico central flutuou na arena com a rainha do folclore Cleise Simas, que fez uma grande apresentação de beleza, dança e amor ao boi.

Para fechar a noite, o ritual indígena “Musudi Munduruku, a retomada dos espíritos” declarou a luta do povo Munduruku em retomar seu território e, de forma especial, as urnas funerárias de seus antepassados que foram levados para dar lugar à construção da usina hidrelétrica de Teles Sales (divisa Pará e Mato Grosso). Pajé Erick Beltrão conduziu a cerimônia.

 

Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso

Caprichoso emociona, impacta e faz espetáculo surpreendente na noite de retomada pelas lutas dos Povos da Floresta

O primeiro ato do projeto de arena “É Tempo de Retomada”, do Boi Caprichoso, surpreendeu o público. Um show de arte, emoção e impacto na arena do Bumbódromo. Na primeira noite do Festival de Parintins, o tricampeão apresentou o espetáculo “Amyipaguana, a retomada pelas lutas”, uma festa dos povos da Amazônia com foco na cultura nascida na floresta.

Um show de luzes, alegorias, fantasias, performances, lutas e emoções dentro e fora do Bumbódromo. O bumbá evidenciou ainda mais o motivo de ser o tricampeão de Parintins com momentos alegóricos, cênicos e coreográficos intensos, artísticos e extasiantes.

“A família azul e branca está de parabéns! Começamos com o pé direito. Expectativa para amanhã é crescer um pouco mais, subir um pouco mais a régua do espetáculo. Se Deus quiser, a gente vai fazer uma apresentação belíssima como essa”, comemorou o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo.

“Foi um espetáculo perfeito. Tenho certeza que foi tudo aquilo que a galera esperava da gente. É o resultado do nosso trabalho. A gente tem convicção no trabalho que a gente tem feito. Estamos muito felizes, porque a reação da galera é de muita alegria, de felicidade e, acima de tudo, esse congraçamento de tudo aquilo que foi apresentado”, avalia o diretor de arena, Edwan Oliveira.

Espetáculo

A lenda amazônica “Yuripari” abriu o espetáculo alegórico. A entidade da floresta foi demonizada pelos missionários religiosos, que queriam catequisar os indígenas. Mas, o Caprichoso retoma o relato histórico dos povos originários e apresenta Yurupari como ente sagrado da cultura indígena. O momento alegórico apresentou a bela cunhã-poranga Marciele Albuquerque.

Em uma merecida homenagem às mulheres, o Caprichoso apresentou a Figura Típica Regional “Majés, as senhoras da cura”, numa referência às parteiras, benzedeiras, puxadeiras, erveiras, conselheiras e demais conhecedoras da sabedoria popular, indígena, negra, cabocla. A rainha do Folclore Cleise Simas, a sinhazinha Valentina Cid e o boi foram destaques na alegoria.

Michel Amazonas

O amo do boi Caetano Medeiros foi um show à parte, seus versos e toadas encantaram e arrancaram aplausos. O levantador de toadas, Patrick Araújo, deu o tom potente e afinado ao espetáculo com performances surpreendentes. Toda a apresentação contou com a maestria e eloquência do apresentador Edmundo Oran, que conduziu a festa majestosamente bem.

Para fechar a primeira noite, o Caprichoso realizou outro momento de retomada: o Ritual Tupinambá, que apresentou o manto Tupinambá como um verdadeiro artefato sagrado de poder espiritual usado pelos pajés, desconstruindo a versão do homem colonizador que afirmava que o objeto era “usado por um guerreiro para abater o inimigo”. O pajé do Caprichoso Erick Beltrão conduziu o rito.

Com a apresentação, o Boi Caprichoso se mostra forte, impactante e emocionante na busca pelo quarto título consecutivo no Festival de Parintins.

 

Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso

Pioneiro em Video Mapping no Festival de Parintins, Caprichoso prepara novas surpresas para o espetáculo “É Tempo de Retomada”

Sempre aliando tradição, arte, tecnologia e inovação, o Boi Caprichoso tem novas surpresas para apresentar o espetáculo “É Tempo de Retomada”. O bumbá foi o primeiro a usar a tecnologia do Video Mapping no Festival de Parintins, em 2017, com a projeções de lindas imagens na arena do Bumbódromo, utilizando-se do sistema de luzes, cores e efeitos.

O video mapping é uma inovação pioneira implementada pelo Caprichoso. Essa técnica foi integrada às apresentações como uma extensão visual do espetáculo na arena. As imagens são projetadas na arena (chão) e nas alegorias, dando maior beleza e informação ao espetáculo.

“A proposta é potencializar a narrativa, criando transições mágicas, ambientações surreais e efeitos visuais que interagem com o espetáculo ao vivo. É como dar uma nova camada de expressão ao espetáculo, utilizando a tecnologia como suporte da tradição”, explica o artista visual, Ronan Marinho.

O Caprichoso fez o mapeamento de cerca de 1.500 metros quadrados de área projetável do bumbódromo. As projeções são todas mapeadas em modelos 3D da superfície da arena, o que exige um trabalho técnico e artístico de alta precisão.

“O Caprichoso é pioneiro no uso de tecnologia para auxiliar na apresentação do espetáculo. Exaltamos sempre nossa cultura, nossa arte com uso de técnicas e inovação. É uma maneira inteligente de manter e exaltar nossa tradição com o auxílio desses mecanismos que a tecnologia nos permite”, comenta o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo.

Caprichoso apresenta projeto de arena “É Tempo de Retomada” e Manto Tupinambá do Novo Tempo em coletiva histórica com presença de lideranças indígenas e quilombolas

A força da arte, da ancestralidade e da resistência deu o tom à noite desta quarta-feira, 25, durante a coletiva de imprensa de apresentação do projeto de arena “É Tempo de Retomada”, realizada na Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale. O evento reuniu profissionais da comunicação, diretores, artistas, itens oficiais, membros do Conselho de Arte e representantes de povos originários e quilombolas, numa verdadeira celebração da diversidade e da luta pela Amazônia.

O momento contou ainda com o lançamento oficial do livro “Tempo de Retomada”, com a presença da poeta e pesquisadora Macuxi Trudruá Dorrico, autora da obra que inspira e fundamenta o tema do Boi Caprichoso para o Festival de Parintins 2025.

O Boi Caprichoso apresentou oficialmente à imprensa e ao público o conceito, a narrativa e os elementos que vão compor o espetáculo deste ano no Festival de Parintins. O projeto artístico não apenas destaca a estética e a grandiosidade visual das alegorias, mas também reforça seu compromisso com as causas sociais e ambientais.

A cerimônia teve momentos marcantes de emoção, espiritualidade e representatividade, com a presença especial de lideranças indígenas e quilombolas que simbolizam a resistência dos povos da floresta. Estiveram presentes:

•⁠ ⁠Vanda Witoto (Instituto Witoto)
•⁠ ⁠Val Munduruku (Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós)
•⁠ ⁠Yakui Tupinambá e Naiá Tupinambá (povo Tupinambá de Olivença)
•⁠ ⁠Auricélia Arapiun (povo Arapiun do Baixo Tapajós)
•⁠ ⁠Adolfo Tapaiuna (povo Sateré-Mawé)
•⁠ ⁠Moara Tupinambá (Baixo Tapajós)
•⁠ ⁠Alessandra Munduruku (povo Munduruku do Alto Tapajós)
•⁠ ⁠Juliane Quilombola (Quilombo de São Benedito)

•⁠ ⁠Ângela Mendes (filha do ambientalista Chico Mendes)
•⁠ ⁠Thiago Yawanawá (povo Yawanawá)




Em um dos momentos mais simbólicos da noite, o Boi Caprichoso recebeu o Manto Sagrado do povo Tupinambá, peça ancestral e espiritual que representa proteção, força e conexão com os encantados da floresta. O manto acompanhará o boi azul na arena do Bumbódromo, selando a força espiritual do espetáculo “É Tempo de Retomada”.
O presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, reforçou a confiança no trabalho desenvolvido pelos artistas do boi e na potência da proposta para o Festival de 2025.

“O Caprichoso está bonito visualmente. São alegorias cheias de possibilidades de efeito, coisas que a gente só vai entender e compreender na arena, mas estamos muito felizes com o resultado. Acreditamos na superioridade com o pé no chão, pela recorrência da evolução de apresentações que o Caprichoso vem fazendo ao longo desses anos. Em 2024 achávamos que era o ápice, mas com certeza, em 2025, pode ser ainda maior”, declarou.

O projeto “É Tempo de Retomada” reafirma o compromisso do Caprichoso com uma arte engajada, que exalta os saberes ancestrais, valoriza os povos originários e quilombolas e defende o direito à terra, à cultura e à vida.

Ao final, a emoção tomou conta dos presentes, que saíram com a certeza de que o boi azul e branco vai mais uma vez subir à arena com a alma cheia de luta, beleza e verdade.

Para a concepção, desenvolvimento e execução do projeto de arena 2025: “É Tempo de Retomada”, o Boi Bumbá Caprichoso recebeu o patrocínio de parceiros públicos e privados. São eles: o Governo Federal, Ministério da Cultura, Ministério do Turismo, Governo do Estado do Amazonas, Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Coca-Cola Brasil, Mercado Livre, Esportes da Sorte, Brahma, Bradesco, Petrobras, Assaí Atacadista, Eneva, Azul Linhas Aéreas, Natura, Prefeitura Municipal de Parintins, Bemol, Gree, Vivo, Elma Chips, Samel Planos de Saúde, Cielo, InfoStore, Agência oficial: Maná Produções, Emissora Oficial: TV A Crítica e Apoio institucional da Amazonastur.

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Retomada do Social: Caprichoso reinaugura Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale

Referência na criação de grandes artistas de Parintins, a Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale reabriu suas portas na tarde desta segunda-feira, 23 de junho. O educandário, projeto socioeducativo do Boi Caprichoso, é conhecido no Amazonas pelo trabalho de base na arte parintinense. A cerimônia foi marcada por lembranças e muita emoção.

Com a titulação “Trilhas para o futuro: arte, ancestralidade, tecnologia e consciência ambiental”, o educandário reabre com esforços do Boi Caprichoso e teve apoio do presidente da Tv A crítica, Dissica Calderaro, e emenda parlamentar da deputada estadual Mayra Dias. A grande maioria dos colaboradores é formada por ex-alunos da Escola de Arte.

Aluno de irmão Miguel de Pascale desde os 12 anos, o presidente Rossy Amoedo destacou a importância do educandário na construção artística de Parintins. Para ele, a reabertura da escola é um retorno mais que merecido à nação azul e branca e ao município.

“Eu me sinto no dever de devolver tudo o que me foi dado através da Escolinha. A arte me ajudou a construir o que tenho e é através da arte, da Escola de Arte, que eu devolvo ao Boi Caprichoso essa instituição de cultura, de educação e de sonho. Estou muito feliz hoje”, disse emocionado o presidente Rossy Amoedo.

Também fruto da Escola de Arte, o presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, contou as lutas e vitórias do bumbá em manter viva a instituição. Bastante emocionado, precisou pausar várias vezes seu discurso para segurar as lágrimas e revelar a importância da “Escolinha” na vida dele.

“A escolinha é uma ponte importante para o futuro. Ela conecta as raízes ancestrais, quando a gente tem oportunidade de conviver com pessoas que construíram a história do boi, como foi no meu caso, como professores e a gente poder perpassar isso nas gerações de artistas. Hoje a gente poder mostrar o nosso trabalho ao mundo por conta da Escolinha, não tem como a gente não se emocionar. Falar da Escolinha é falar também da história pessoal de cada um de nós que passamos por ali”, disse Nakanome.

Estrutura e oficinas

O prédio, localizado ao lado do curral Zeca Xibelão, foi revitalizado e possui salas de aula para cada oficina ofertada, além de ambientes administrativos, auditório, banheiros e uma linda praça que faz homenagens aos fundadores do bumbá.

Com a nova estrutura, a Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale oferece oficinas de Pintura e Desenho Digital, Desenho Artístico, Percussão, Introdução ao Charango na Toada, Teatroterapia, Pirogravuras, Iluminação Cênica, Estrutura Alegórica, Escultura Digital e Retalhos da Cultura. Junções do tradicional ao atual, uma combinação comum no Caprichoso.

A Escola de Arte tem como gestora Irian Butel, que foi a primeira professora de dança da Escolinha, aos 19 anos de idade. “Hoje, retornar como gestora, eu não sei te descrever, é muito emocionante. Poder colocar um pouco das nossas ideias junto com a nossa equipe maravilhosa é muito desafiador. Eu não imaginei ser gestora da escola, mas é um sonho realizado também, porque você consegue visualizar o nosso Caprichoso para daqui a mais 20 anos”, relata.

A primeira gestora da Escola de Arte, Graça Ferreira Assayag, também participou do evento de reinauguração e disse estar feliz com a retomada do educandário. “A Escola de Artes é um celeiro de artistas, foi e continuará sendo um celeiro de artistas. Daqui sairão os futuros artistas, os futuros gestores. É um trabalho social em que a gente inclui todas as crianças, todas as classes sociais e que tem essa oportunidade de crescer e se tornar grandes artistas”, concluiu.

A Escola Irmão Miguel de Pascale já possui turmas matriculadas e a previsão para início das aulas é no segundo semestre deste ano.

 

Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso

Com multidão e percurso por redutos tradicionais, Caprichoso realiza maior Boi de Rua da história

Ruas enfeitadas, casas pintadas e ornadas de azul e moradores ansiosos e felizes esperando o tricampeão da cidade passar. Assim foi o clima em Parintins na noite deste sábado, 21, quando o Caprichoso realizou o maior Boi de Rua da história. O evento, que guarda a essência da brincadeira de boi, teve grande participação popular e o maior trajeto já realizado no município.

Este ano, o Boi de Rua saiu de dois locais tradicionais do bumbá: o bairro Palmares, iniciando na conhecida Lombrigueira, Canto da Porrada e Calçada da Fama; outro espaço foi o conhecido Esconde (bairro Francesa), na rua Sá Peixoto, reduto com muitos sócios e torcedores. A festa começou nesses espaços azulados e se encontrou na Avenida Amazonas, onde uma multidão azul e branca percorreu as ruas da cidade para brincar de boi.

Na Avenida Amazonas, os torcedores azulados brincaram na Catedral de Nossa Senhora do Carmo, até chegar no Rua Cordovil, outra localidade com a tradição do Caprichoso. O Boi de Rua chegou até o templo sagrado do Festival de Parintins (Bumbódromo), onde uma grande festa tomou conta do lugar. Foi o maior trajeto percorrido pelo bumbá em toda história.

“Planejamos e executamos o maior Boi de Rua de toda a história, com o maior trajeto e recorde de público. O boi Caprichoso passou por lugares tradicionais azulados e brincou na rua com seus torcedores. Há poucos dias do Festival, pudemos criar um momento feliz de brincadeira, descontração e muito amor ao boi Caprichoso. Sou muito grato por isso!”, destacou o presidente Rossy Amoedo, que foi à frente da multidão, conduzindo o povo.

Redutos tradicionais

No Palmares, os moradores festejaram o Boi de Rua. O torcedor do Caprichoso, Fernando Luiz (Gordinho do Palmares), agradeceu a diretoria pela iniciativa. “Foi bacana sair daqui do final do Palmares, aonde tinha a grande lombrigueira, que era lá atrás onde é a quadra do Seo Jovem hoje. Foi uma iniciativa boa, foi legal, o Boi de Rua do Palmares foi bem organizado”, disse.

O Esconde, na Francesa, também celebrou a passagem do Boi de Rua. A sócia, torcedora e moradora da Rua Sá Peixoto, Clotilde Valente, afirma que o bumbá exalta sua tradição quando traz o Boi de Rua para a Sá Peixoto. Ela parabenizou o novo formato do evento.

“Eu fico muito emocionada de ver o Caprichoso sair daqui do reduto dele, porque a Sá Peixoto tem uma história muito linda, aqui é o berço do Caprichoso, foi aqui que o Caprichoso nasceu. Essa rua tem uma história fantástica de pessoas que são envolvidas no boi, de artistas, de itens, de torcedores, de matriarcas que desde criança torcem pelo azul. Esse é um momento cultural muito importante para todos nós moradores desta rua”, explica.

A brincadeira de boi também passou pela Cordovil, outro logradouro que carrega história e famílias caprichosas. A brincadeira passou na frente de casa de Ana Zilza Lopes, 76 anos, torcedora apaixonada pelo Caprichoso. Ela disse ficar feliz em receber o amado boi em casa. “Estou emocionada, esperando o boi passar. Hoje eu passei o dia costurando, mas agora eu estou aqui de pé esperando o meu boi passar, porque eu amo o Caprichoso”, disse comovida.

Por todo o percurso o boi de pano visitou as casas e saudou os moradores, mantendo uma tradição secular de brincar de boi na cidade. Porém, todo esse percurso demandou um trabalho de organização

Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso