“A Deusa e o Estandarte” e “Leveza de Sinhá” marcam os primeiros lançamentos do Caprichoso para o Festival de Parintins 2026

O Boi Caprichoso surpreendeu seus torcedores ao dar início aos lançamentos oficiais de toadas para a temporada 2026, movimentando a Nação Azul e Branca tanto nas redes sociais quanto fora delas. A novidade foi revelada pelo presidente Rossy Amoedo durante a comemoração dos 112 anos do bumbá, realizada no curral Zeca Xibelão, no último dia 18 de outubro.

A primeira toada divulgada, “A Deusa e o Estandarte”, chegou em 20 de outubro, data do aniversário do boi, como um presente à galera azul e branca. A toada, de autoria de Frank Azevedo, Christine Rondon e Oberdan Bastos, exalta a força e o encanto da porta-estandarte Marcela Marialva.

Já nesta segunda-feira (27), foi a vez da toada “Leveza de Sinhá” ser apresentada ao público. Composição de Guto Kawakami, Gabriel Moraes e André Anzoategui, a canção é uma homenagem à sinhazinha da fazenda Valentina Cid e conquistou os torcedores por trazer um toque inusitado: o som do leque se abrindo, símbolo característico do item, aparece reproduzido na melodia.

O detalhe criativo fez sucesso nas redes sociais, onde torcedores compartilharam vídeos “batendo seus leques” no ritmo da nova toada.

Ambas as toadas contam com produção musical de Adriano Aguiar, Valdenor Filho, Neil Armstrong e Patrick Araújo, e já estão disponíveis nas plataformas digitais.

Com os novos lançamentos, o boi Negro da Amazônia se prepara para a temporada 2026, quando apresentará na arena do Bumbódromo o tema “Caprichoso: brinquedo que canta seu chão”.

A Deusa e o Estandarte: https://spotify.link/hzsQeaocDXb

Leveza de Sinhá: https://open.spotify.com/track/4j7o0ge15PAlE9o2lJTxTL?si=XRI2cqALT1qd6_t4mOkPYQ

Boi Caprichoso lança edital de toadas para o Festival de Parintins 2026

A Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso lança, nesta segunda-feira (20), o edital de seleção de toadas que irão compor o projeto fonográfico e audiovisual “Caprichoso: Brinquedo que Canta seu Chão”, para o Festival de Parintins 2026.

Assinado pelo presidente Rossy Amoedo, o edital abre oficialmente o processo de escolha das toadas que integrarão os álbuns digitais e produções de vídeo do Caprichoso. A seleção é voltada a compositores identificados com o boi, maiores de 18 anos, e tem inscrições gratuitas abertas de 20 de outubro a 15 de dezembro de 2025, pelo e-mail caprichososelecaotoadas2026@gmail.com.

De acordo com o documento, não há limite de toadas a serem escolhidas, ficando a decisão a cargo do Conselho de Artes. As composições devem se enquadrar nas categorias Galera ou Genéricas e Boi-Bumbá (Evolução), ressaltando o sentimento, a força e a devoção da Nação Azul e Branca.

Entre os critérios de avaliação estão letra, melodia e fundamentação artística, e as análises serão conduzidas pelo Conselho Musical e Conselho de Artes do Caprichoso, em Parintins e Manaus. As toadas selecionadas farão parte das plataformas digitais oficiais do bumbá e cada uma delas receberá uma premiação de R$ 5 mil.

Além da seleção principal, o edital institui também o Prêmio Raimundinho Dutra, que será concedido às três toadas que, entre todas as oficialmente selecionadas, alcançarem o maior número de acessos, reproduções ou interações nas plataformas digitais até 20 de junho de 2026.
As premiações do Raimundinho Dutra serão de R$ 5 mil para o primeiro lugar, R$ 3 mil para o segundo e R$ 2 mil para o terceiro.

Confira o edital: https://drive.google.com/drive/folders/1r-7iwuCCjAahH3z76MKO7XJCKTV9hB4c

Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso

Entre toadas e brincadeiras, Tarde Alegre do Caprichoso celebra gerações e anuncia os 40 anos do projeto em 2026

Alegria, brincadeiras, gritos de euforia e muitas toadas marcaram a Tarde Alegre Infantil do Boi-Bumbá Caprichoso, realizada neste domingo (19), no curral Zeca Xibelão. O evento fez parte da programação que celebrou os 112 anos do bumbá azul e branco, em uma tarde voltada à infância, à família e à preservação da cultura popular.

Criada em 1986, a Tarde Alegre Infantil é um dos projetos mais tradicionais do Caprichoso e deu origem à Escola de Artes Irmão Miguel de Pascalle. Em 2026, a iniciativa completará 40 anos de história, reafirmando seu papel na formação artística e cultural de crianças e jovens do boi negro da Amazônia.

A última edição de 2025 reuniu dezenas de famílias em uma programação repleta de diversão: brincadeiras, pipoca, algodão-doce e picolé fizeram a alegria da garotada. A ação é coordenada pelo Centro de Documentação e Memória Caprichoso (CEDEM) e conta com a parceria do Prodagin, projeto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Durante a festa, o Caprichoso prestou homenagem às crianças que estampam a capa do tema 2026, “Caprichoso, brinquedo que canta este chão”. No palco, o presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, apresentou os pequenos Miguel Souza, Iraê Beltrão, acompanhada da mãe, Ira Maragua,  e João Mateus, representantes da nova geração do boi azul.

Para o coordenador da Tarde Alegre Infantil, professor Diego Omar, a celebração representa o encerramento de um ciclo. “Hoje é a última Tarde Alegre antes da próxima, que vai completar 40 anos. Segundo o Walter Lobato, a primeira foi em 1986. Então, ano que vem é pra comemorar quatro décadas dessa história. Foram seis Tardes Alegres antes do Festival e ainda tivemos essa de bônus, pra encerrar os 112 anos do Caprichoso com o público infantil. O curral estava cheio, com famílias e crianças que sabem que aqui é um espaço acolhedor. É uma alegria imensa”, afirmou.

Entre os participantes estava o pequeno Carlos Miguel, de seis anos, que gosta de ser chamado carinhosamente de Malu Dudu. Ele participou das atividades ao lado dos pais, Karolle Carvalho e Uilisses Vieira, que destacaram a importância da iniciativa.

Michel Amazonas

“É muito importante despertar nas crianças, desde cedo, o amor e o contato com a nossa cultura. Nós, como pais, agradecemos porque o Caprichoso oferece essa base forte. É uma tradição que vem de geração em geração e mantém viva a cultura de Parintins”, disse Karolle.

Uilisses também destacou o papel do evento na continuidade das tradições. “É um momento muito bom para nossas crianças, que não deixa a cultura morrer. Desde os nossos pais, essa tradição vem sendo passada, e ver o Caprichoso realizando a Tarde Alegre é motivo de orgulho”, ressaltou.

Missa em ação de graças

O Boi Caprichoso completa 112 anos nesta segunda-feira, 20 de outubro, e a programação de aniversário será encerrada com uma missa em ação de graças, às 18h, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus.

 

Caprichoso: Brinquedo que canta seu chão

O Boi Caprichoso foi um sonho plantado na intimidade de fé de uma família que largou sua casa na busca por dias melhores. Migrantes, irmãos, sonhadores, que, embevecidos pelo dom da gratidão, construíram seu brinquedo de pano para pagar a promessa a um santo menino.

Agora, o sonho dos Cid já não é guardado na intimidade afetuosa da bagagem da esperança; ele tornou-se coletivo e é comungado por uma comunidade amazônica inteira. A poeira do chão, que se misturava às fagulhas da fogueira e espiralava o perfume da lenha queimada, recendeu outros sentidos e, carregada nos braços do vento, levou a brincadeira de boi ao colo das tantas famílias que conduziram esse terno brinquedo para além das fronteiras da ilha.

O brinquedo, feito de amor e pano, tornou-se talismã popular que atrai multidões por sua força e arte daqueles que brincam e amam. É arquétipo de sonhos e lutas, é amuleto de revolução de quem fez do brincar a guerra contra tudo aquilo que freia a evolução de um povo; é uma entidade viva onde habitam os desejos, anseios e aspirações de uma gente que resiste contra tudo para sobreviver em uma Amazônia esquecida e disputada por aqueles que tentam destruí-la por poder.

É no desejo de dias melhores que aquela velha armação de cipó e sarrapilha, de olhos tirados dos fundos de garrafas de vidro e coberta pelo couro preto de veludo, que Parintins e seu criativo povo redefiniu seus próprios sentidos, conectando mulheres, homens, crianças e idosos das muitas gerações, bichos, árvores e rios, para tornar-se afago, amparo, remédio, cura, reavivamento, sublimação, ponte, caminho, esperança e tantos outros adjetivos que reverenciam a diversidade e polissemia num único ser, que pertence ao povo e canta seu chão sagrado ao mundo todo.

Afinal, o brinquedo Caprichoso também é canto, arte que ecoa da boca do povo na inteligência, na inventividade, numa alquimia sentimental que faz ecoar as barreiras e ultrapassar a razão, numa catarse apaixonada onde o corpo se entrega para recender a chama viva da paixão. É arte que manipula os sentidos, dando vida ao sonho num canto liberto, gerador de emoção, que faz os olhos transbordarem com o brilho das estrelas em noite junina.
É o chão, organismo vivo, nosso corpo e espírito, que, debaixo de nossos descalços pés, guarda os segredos antigos do mundo e do futuro, nossa terra-floresta, território vivo que, na contramão do tempo, é diariamente atacado pelo falho sistema econômico em que vivemos. Chão da vida, berço sagrado e colo materno de nossa existência.
Esse é o Caprichoso 2026: um brinquedo tecido de sonhos, arma contra o medo, instrumento revolucionário do amor e da arte.

Conselho de Artes do Boi Caprichoso