Caprichoso lança coreografias do álbum “O Brado do Povo Guerreiro”

Para mostrar as novas coreografias das toadas 2023, o Boi Caprichoso lança os vídeos gravados pelos dançarinos da Troup Caprichoso e Corpo de Dança Caprichoso (CDC). O produto audiovisual conta com produção da equipe de Comunicação do bumbá e gravado pela empresa Direct Produções. Os vídeos estão disponíveis no canal oficial do bumbá no YouTube.

Ao longe das semanas de gravações, a equipe de Comunicação do Caprichoso e a Direct Produções montaram cenários e studios pensando no torcedor. Foram usadas duas câmeras, além de um drone e equipamentos necessários para captar as melhores imagens dos grupos de dança.

Coreografias

O trabalho de montagem das coreografias do Caprichoso iniciou em novembro de 2022, antes mesmo do anúncio das toadas. Segundo o coreógrafo e conselheiro de artes, Jair Almeida, foram realizadas pesquisas, oficinas, workshops e encontros entre os coreógrafos e o Conselho de Arte.

Todas as 17 toadas do algum “O Brado do Povo Guerreiro” são coreografadas. No primeiro momento é feita a divisão entre toda a equipe de coreógrafos, que irão criar coreografias para cada música. Todas as danças são avaliadas e aprovadas pelo Conselho de Arte, antes de serem oficializadas e repassadas para o público.

“O principal objetivo é tentar unir os movimentos tradicionais com movimentos fáceis e também contemporâneos para que todo público possa ser atingido, tanto o público de mais tradição no boi como o público jovem. Então, essa é a proposta das nossas coreografias, é fazer com que o público vá para o curral não só para assistir, mas também que possa participar dançando”, disse Jair Almeida.

O coreógrafo do Caprichoso, Neto Beltrão, cria passos de dança para a nação azulada desde 2003. Ele informa que seu processo de montagem de coreografia é sempre baseado na fundamentação dada pelo Conselho de Arte e partir de pesquisas que ele realiza. “Esse ano foi muito bom, muito bom mesmo passar as coreografias para os grupos. Foi bem dinâmico e fez com que a galera aprendesse rápido”, destacou.

As novas coreografias do Boi Caprichoso estão disponíveis no canal oficial do bumbá no YouTube. Para acessar, clique no link abaixo:

Com fé e união, mães torcedoras do Caprichoso celebram missa em ação de graças

O Caprichoso, boi da fé e religiosidade, reuniu os seus torcedores nesta quinta-feira (11/05) para uma missa em ação de graças pelas mães torcedoras do azul e branco. A celebração, marcada de emoção e união, foi presidida pelo padre Benedito Teixeira, no Curral Zeca Xibelão. Membros da diretoria, Conselho de Arte, setores administrativos , artistas e músicos estiveram presentes no momento de oração.

A madrinha do Boi Caprichoso, dona Odinéa Andrade, responsável pela organização da celebração, falou da alegria de reunir a comunidade para pedir proteção a todas as mães. “É um momento ímpar, pois muitas mães não podem ir no Bumbódromo ver o espetáculo na arena, e elas se sentem emocionadas de estar aqui no Curral, perto do Caprichoso, do nosso presidente Jender, para cantar e agradecer a Deus”, disse.

Emocionada, dona Regina Silva, pediu à Deus e Nossa Senhora do Carmo o título do Festival de Parintins deste ano. “É uma honra participar mais uma vez desta santa missa junto com as minhas amigas. Espero em Deus que nossas preces sejam ouvidas e que o nosso boi seja bicampeonato em 2023. Nós mulheres, mães, vestidas de azul vamos cantar e dançar para ajudar na conquista dessa vitória” ressalta.

Padre Benedito Teixeira comenta sobre a particularidade da celebração. “Essa celebração une as mães no mesmo sentimento, cria uma identidade cultural muito forte, especialmente pela relação que cada uma delas tem com o Boi Caprichoso. São mulheres que carregam suas dores, suas esperanças, e aqui encontram bênçãos para suas vidas”, destaca.

Bastante emocionado, o presidente Jender Lobato agradeceu às mães pela presença e destacou a importância de cada uma das mulheres. “Fico extremamente feliz de ver esse espaço aqui dentro do curral completamente lotado. São as mães que constroem o Caprichoso, são elas que intercedem para que nosso boi possa realizar grandes espetáculos. É o momento de demonstrar toda nossa gratidão e respeito por cada uma delas”, comenta.

Homenagem a embaixadora Célia Henn

Durante a celebração, o Conselho de Arte do Boi Caprichoso rendeu homenagens para Célia Henn, embaixadora do bumbá em Santarém, que faleceu no dia 3 de maio. O presidente do Conselho, Ericky Nakanome, exalta todo o esforço e dedicação de dona Célia para a construção do espetáculo azul e branco.

“Foi uma mulher de fibra, uma mãe para todos nós, que não média esforços para ajudar o Caprichoso, seja como fosse. Perdemos uma guerreira surara, amazônida de pés no chão, que vestia o azul e branco com muito orgulho e demonstrava todo seu amor com trabalho e dedicação. Hoje é também o momento de agradecer a Deus pela vida de nossa amiga Célia Henn que muito nos ensinou, relata.

Auto do Boi: representatividade numa poesia azul marcada por lutas

O Auto do Boi de Parintins é a representação da história que dá origem ao Boi-Bumbá Caprichoso. Representativo, significativo e identitário. É o momento cênico da criação que reúne pessoas de diferentes credos, raças e etnias para celebrar e criar a maior manifestação cultural do Norte do Brasil. É nele que se encontram personagens distintos como os negros Pai Francisco, Mãe Catirina, Gazumbá, o pajé do povo indígena, a figura branca do amo do boi e da sinhazinha da fazenda.

Para este importante momento na arena, o Boi Caprichoso traz um Auto do Boi genuinamente representativo, no seu mais fiel significado social. A Mãe Catirina do Caprichoso, Ádria Barbosa, é uma mulher negra. O Pai Francisco azul, Fábio Modesto, é negro. O Gazumbá, Kelyson Castro é quilombola. São mais que personagens, são pessoas que trazem uma história de lutas e resistências reais. No Caprichoso, a encenação do Auto do Boi ganha vida e representatividade.

Antigamente, o Auto do Boi era um momento de pouco destaque nas apresentações dos bumbás e os personagens eram tratados com teor cômico e secundário. Pai Francisco e Mãe Catirina perderam o status de item e não concorrem diretamente na festa. Mas, o Caprichoso entende a importância cultural e social que o Auto do Boi tem para o Festival de Parintins e para a própria cultura do seu povo. “A maioria das referências que se tem são de homens que reproduziam os personagens e sempre vivido de forma muito caricata e, principalmente, retratando o negro de um modo pejorativo e a gente percebe que muitas crianças, muitas pessoas, muitos jovens, não se identificavam com a Catirina, com o Pai Francisco e o auto do Boi foi caindo praticamente em desuso e os personagens foram sumindo”, conta o Pai Francisco Fábio Modesto.

A jovem Ádria Barbosa revolucionou a personagem Mãe Catirina. A mulher que desejou a língua do boi e que antes era encenada por um homem, agora é vivido realmente por uma mulher. Uma iniciativa do Boi Caprichoso para dar voz e vez às pessoas. “O Caprichoso traz esse resgate de valorização dando a cada personagem o seu devido lugar, o seu devido reconhecimento, o seu protagonismo e é muito emocionante a gente falar isso. A gente se sentir nesse lugar de pertencimento que o boi Caprichoso, não só dentro da arena, não só nas três noites do Festival Folclórico, nos coloca”, revela a Catirina.

Ádria não só brinca de boi, não só se veste de Catirina para dançar. Conhecida por seus discursos críticos, Ádria passou a usar a Catirina como um lugar de fala, uma voz que brada por respeito, reconhecimento e valorização do negro como pessoa importante, não só no Auto do Boi, mas na própria sociedade. Um discurso compartilhado com o boi Caprichoso. “O ano inteiro o Caprichoso levanta essa bandeira de respeito, de valorização. A gente está de punhos erguidos nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano. Eu tenho orgulho de ser Caprichoso. Tenho orgulho da representatividade do personagem dentro do festival”, destaca emocionada.

Nascido em família quilombola, que morava na comunidade do Matupiri (Barreirinha-Am), Kelyson Castro é o jovem quilombola que terá a honra de viver Gazumba, outro personagem de origem africana que está no Auto do Boi. Assim como Ádria e Fábio, Kelyson não apenas representa, ele é o próprio personagem, porque seu sangue faz parte da história. “Estou muito feliz por fazer parte dessa brincadeira que nos traz felicidade, que valoriza nossas raízes. Fico muito feliz pelo Caprichoso valorizar as raízes afro”, parabenizou o jovem de 28 anos.

A história do Auto do Boi

Mãe Catirina, negra grávida, fica com desejo de comer a língua do boi mais querido do seu amo. Para satisfazer a esposa, Pai Francisco mata o boi e provoca a irá do patrão e tristeza da sinhazinha da fazenda, filha do amo.

Na tentativa de reviver o boi, o amo chama o pajé da tribo da região para, com sua pajelança, ressuscitar o animal amado. Com danças e orações o indígena consegue trazer de volta o boi, porém, agora bumbá, de pano e de brinquedo, criando uma nova cultura.

Fotos: Pedro Coelho

Boi Caprichoso apresenta projeto triplo com 17 alegorias para vencer o 55º Festival Folclórico de Parintins 2022

 

 

Bumbá revelou detalhes das apresentações em coletiva de imprensa que aconteceu nesta quinta-feira, na Escolinha de Artes Miguel de Pascale

O espetáculo “Amazônia Nossa Luta em Poesia” é a aposta do Boi Caprichoso para conquistar o título de campeão do 55º Festival Folclórico de Parintins, com três grandes atos divididos em subtemas para cada noite de apresentação no Centro Cultural de Parintins, o Bumbódromo, de 24 a 26 de junho. Esse boi de arena é um dos maiores projetos artísticos em dimensão do Boi de Parintins, da Francesa e do Palmares, que começou a ser planejado em 2019, com o lançamento do tema “Terra: Nosso Corpo, Nosso Espírito” no curral Zeca Xibelão.

O Conselho de Artes iniciou a preparação do bumbá para a disputa do festival de Parintins 2020, no último final de semana do mês de junho, sob o comando do novo presidente, o advogado Jender Lobato, e do vice-presidente, o artista plástico Karú Carvalho. O Boi Caprichoso acabara de reunir com todos os artistas em março daquele ano recém chegados do carnaval e estava em contagem regressiva para a festa de lançamento do álbum “Terra: Nosso Corpo, Nosso Espírito” quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia da Covid-19.

A impossibilidade da realização do festival de Parintins por dois anos consecutivos, por conta das restrições de saúde pública, levou o Caprichoso a promover atualização do projeto inicial de 2020 para uma abordagem mais contemporânea com o tema sobre a terra agora agregado com a Amazônia. O resultado dessa contextualização artística é o “Amazônia Nossa Luta em Poesia” está pronto para ser executado na arena do Bumbódromo, com 21 itens do Boi Caprichoso em julgamento dos jurados divididos em três blocos: musical, cênico-coreográfico e artístico.

O bumbá das cores azul e branco segue um mega planejamento para colocar o boi na arena. São empregados 200 homens, chamados de paikicés (mão de obra responsável pelo traslado), na condução das alegorias do galpão central até a concentração e arena do Bumbódromo. A operação logística do Boi Caprichoso é grandiosa e conta com dois guindastes, um de 80 toneladas e outro de 500 toneladas, além de dois caminhões munck, três empilhadeiras e dois caminhões de transporte de tropa, para ajudar na montagem das estruturas.

O planejamento foi pensado para a saída e retorno das alegorias ao galpão logo após a apresentação na arena, sem deixar nenhuma na concentração. São nove alegorias grandes dos itens: Figura Típica Regional, Lenda Amazônica e Ritual Indígena. O Caprichoso apresenta duas alegorias de Exaltação Folclórica e mais seis módulos. “Temos um total de 17 alegorias construídas por 11 equipes de artistas que compõem toda essa cenografia da apresentação do boi”, afirma o diretor de logística e concentração, Zandonaide Bastos.

A preocupação do presidente Jender Lobato é a segurança. “Temos suporte do maior guindaste das regiões Norte e Nordeste do Brasil para complementar nosso espetáculo. Teremos momentos de inserções dos equipamentos de alta tecnologia. Então, são surpresas para que o Caprichoso venha arrebatador. Tivemos mais de dois anos para readequarmos o projeto. As lives durante a pandemia nos ajudaram a reestruturar as bases das alegorias e começamos a todo vapor quando o Governo do Amazonas anunciou o festival 2022”, enfatiza.

Para a concepção, desenvolvimento e execução do projeto de arena 2022, o Boi Bumbá Caprichoso recebeu patrocínio de parceiros públicos e privados. São eles o Governo Federal, Ministério do Turismo, Governo do Estado do Amazonas, Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Amazonastur, Coca-Cola Brasil, Bohemia, Bradesco, Porto, Tectoy Transire, Bemol, Bemol Farma, Eneva, Samel e Pixbet. Apoios de Infostore, O Boticário. Emissora Oficial: TV A Crítica. Agência oficial: Maná Produções. Apoio institucional da Prefeitura Municipal de Parintins.

 

Emoção, luta e reencontro: Caprichoso brinca no Bumbódromo e está pronto para vencer Festival de Parintins

O Centro Cultural de Parintins, o Bumbódromo, voltou a ter o clima de espetáculo com o ensaio do Boi-Bumbá Caprichoso nesta noite de terça-feira, 21. Nas arquibancadas e na arena, a emoção tomou conta da nação azulada. A cada apresentação de itens individuais ou coletivo uma vibração diferente pela festa que volta à arena sagrada e possibilita o reencontro de galera e seu Touro amado.

Os blocos musical, cênico-coreográfico e artístico fizeram o primeiro teste oficial de execução do projeto boi de arena do Caprichoso “Amazônia Nossa Luta em Poesia”. Estreante como levantador de toadas, Patrick Araújo, demonstrou confiança vocal, ao interpretar pela primeira vez na arena, com a galera no Bumbódromo, o repertório do espetáculo do Caprichoso. “É uma emoção estarmos aqui, hoje, representando essa nação maravilhosa. Me sinto feliz por ter dado tudo certo. Trabalhamos incansavelmente para darmos o melhor de nós, podermos conquistar o título e levantarmos o troféu de campeão”, assegura.

De acordo com o presidente do Caprichoso, Jender Lobato, o boi de arena 2022 é resultado de três anos de preparação para vencer o Festival de Parintins. “Com certeza, a partir de agora, vamos fazer uma apresentação perfeita. A nossa ideia é fazer um espetáculo que vai emocionar e consagrar o Caprichoso como campeão do festival, porque esse projeto é vitorioso. A declaração de amor do torcedor significa que estamos no caminho para a conquista do título”, enfatiza.

Conforme o presidente do Conselho de Artes, Ericky Nakanome, o ensaio técnico mostra que o Caprichoso está preparado, organizado e planejado para a disputa do festival em três grandes atos na arena do Bumbódromo. “Estamos prontos e vamos ajustar algumas finalizações na concentração que é natural na montagem das alegorias. Saímos daqui com o coração seguro e forte de que, com certeza, nós seremos campeão desse festival”, assegura.

Em clima de vitória, nação azul e branca festeja o maior Boi de Rua da história 

A nação azul e branca viveu mais de nove horas de festa com o Caprichoso no maior Boi de Rua de todos os tempos, desde a saída no curral Zeca Xibelão às 20h até amanhecer na concentração do Bumbódromo neste domingo (19/06). Nem problema técnico no trio elétrico impediu milhares de torcedores de seguirem o trajeto da brincadeira tradicional e cantarem as toadas até a Praça dos Bois. A maior festa popular de boi-bumbá ficou marcada por uma grande apoteose com todos os itens com aparição em guindaste no meio da multidão e no palco montado na concentração. Já passava das 5h30 e os torcedores não arredavam o pé da festa. “Depois de quase três anos sem essa brincadeira, esse é o maior Boi de Rua da história e maior em emoção. Eu vi só alegria, felicidade, até agora 5h”, declara o sócio e torcedor, Anderson Souza. O encontro de Dona Julita Cid, 97 anos, nora do fundador do bumbá, Roque Cid, com o Caprichoso representou um dos momentos mais emblemáticos e simbólicos do Boi de Rua. A matriarca foi levada pelos filhos, netos e bisnetos para esperar a passagem do Boi Caprichoso na esquina da Rua Gomes de Castro com a Avenida Amazonas. História viva do azul ebranco, Dona Julita Cid, vestia uma camisa com a foto do sogro.

Com sequelas da Covid-19, o torcedor João Carlos Siqueira tirou forças da paixão pelo Boi Caprichoso para encarar todo o trajeto do Boi de Rua em uma cadeira de rodas no meio da multidão. Natural de Belém do Pará, ele, que também é co-autor da toada Cultura que Resiste, não conteve a emoção em rever o Caprichoso com a galera nas ruas enfeitadas com as cores do Boi de Parintins.

Na Avenida Amazonas, o Boi Caprichoso dançou na casa da sócia Ana Maria Azêdo, que é estampada tradicionalmente com as cores azul e branco. “Estamos com aquela ansiedade de brincar o boi e com aquela vontade de ser campeão. Nós vamos vencer esse festival, se Deus quiser, eu tenho certeza. Eu sou marujeira há mais de 30 anos e é nossa tradição enfeitar nossa casa. Nossa família toda é Caprichoso”, ressalta.

O Boi de Rua levou uma multidão de apaixonados, embalada pelos levantadores de toadas no trio elétrico, pela Rua Gomes de Castro e Avenida Amazonas que se transformaram em um mar azul. Com a parada do trio elétrico na Catedral de Nossa Senhora do Carmo, a nação azul e branca seguiu pelas Ruas Clarindo Chaves e Cordovil, Avenida Nações Unidas, Rua Marujada até a Paraíba para um show apoteótica dos itens, na Praça dos Bois.

No clima do 55º Festival Folclórico de Parintins, ao som da Marujada de Guerra, o Caprichoso protagonizou o primeiro reencontro com os torcedores nas ruas, após a pandemia da Covid-19, para manter viva a chama da cultura secular. Triciclos enfeitados também comporam o trajeto da brincadeira. Um dos momentos surpreendentes foi a aparição dos itens em uma lança de guindaste no palco na Praça dos Bois.

“É um Boi de Rua de muita emoção. É um momento de dizer que a nossa brincadeira encerra aqui, porque a partir de agora é batalha, é guerra, é estratégia para vencer o festival. O Boi de Rua é uma maravilha da vida parintinense. Quem é Caprichoso espera essa data com a alegria de lavar a sua alma com muita festa e vibração, principalmente com amor, pois estamos cheios de saudades”, declara o presidente do Conselho de Artes, Ericky Nakanome.

A nação azul e branca fez a festa para matar a saudade de brincar com o Caprichoso, com a vaqueirada, ruas enfeitadas, ao som das melhores toadas de boi-bumbá. “É um sábado antes do festival em que os torcedores extravasaram de alegria nas ruas. Fizemos uma apoteose jamais vista na Praça dos Bois e confiantes no título com três espetáculos na arena do Bumbódromo”, assegura o presidente, Jender Lobato.

O dirigente sentiu-se orgulhoso da nação azulada pela magnitude do evento. “É uma demonstração de sentimento tão profundo pelo boi. Isso é histórico, é épico, é memorável, mostra que a galera tá com muita vontade de ganhar o título. Isso é o começo de uma semana decisiva. Temos o festival e a vitória. A gente quer finalizar nosso mandato ano que vem com mais um festival e deixar esse legado do maior Boi de Rua da história”, descreve Jender.

 

Caravana Azulada chega à Parintins com 700 torcedores do Boi Caprichoso de todo o Brasil

O Boi de Rua e o Boi de Arena do Caprichoso reúnem os camisas azuladas de todos os cantos do país. Para se juntar à grande festa popular, a tradicional Caravana Azulada, organizada pelo Movimento Marujada, aportou em Parintins hoje, 18, à 11h. São 700 torcedores do Boi-Bumbá Caprichoso, vindos de Manaus, mas com passageiros apaixonados pelo Touro Negro de várias cidades do Brasil.

Após 16 horas de viagem em barco de Manaus até a Ilha Tupinambarana, a Caravana Azulada foi recepcionada pelo presidente do Boi Caprichoso, Jender Lobato, o vice Karu Carvalho, o tripa Alexandre Azevedo, a Marujada de Guerra e a Raça Azul e Branca, fazendo uma animada festa no porto de Parintins.

O presidente Jender Lobato e o vice-presidente Karú Carvalho deram boas-vindas aos apaixonados pelo Caprichoso. “A gente recebe de braços abertos. Todas essas pessoas amam o nosso boi. Não são torcedores comuns, são apaixonados. O Boi de Rua será o maior evento que um boi já fez nessa cidade. Agora, literalmente, o Caprichoso reúne todas as suas forças, torcidas e grupos para a maior apresentação que o boi já fez no Bumbódromo. A nação azul e branca pode esperar que o Caprichoso vai fazer o maior espetáculo já visto na arena e, se Deus quiser, seremos consagrados com o título de campeão”, afirma Jender.

De acordo com o presidente do Movimento Marujada, Beto Vital, a Caravana Azulada teve uma grande delegação de Belo Horizonte, Barcelos, Rio de Janeiro e São Paulo. “Veio gente de muitas partes do Brasil, a maioria de Manaus, para cá, inclusive parintinenses residentes na capital. Trouxemos 700 sorrisos azulados para completar o espetáculo do Boi Caprichoso até a consagração com a festa da vitória. A ansiedade estava guardada há dois anos, aflorou e veio todo mundo num pique maravilhoso. Ninguém dormiu no barco, som ligado o tempo inteiro, banda, e foi uma viagem sensacional, com toda segurança”, descreve.

O parintinense Daniel Júnior Malcher, que mora em Brasília (Distrito Federal) há dois anos, e o filho, Luiz Carlos, enfrentaram uma grande maratona de viagem aérea e fluvial para reencontrar o Boi Caprichoso no festival de Parintins 2022. “É muita emoção ser parintinense, percorrer os quatro cantos desse país e levar o nome do nosso festival com o Boi Caprichoso. Ainda mais ser azul, é maravilhoso e eu sou Caprichoso até morrer. Minha mãe foi diretora social do boi contrário, era o sonho dela eu tocar lá, mas eu gosto de ser Caprichoso”, assegura o torcedor, sócio e ex-marujeiro.

Residente em Parintins há dois meses, o torcedor Netto Ferreira, natural de Tombos, Minas Gerais, foi à Manaus para embarcar na Caravana Azulada e sentir o clima do festival à bordo descendo o Rio Amazonas com a nação azul e branca. “A gente esperou por muito tempo a volta do Boi Caprichoso, do festival de Parintins. Conheci o festival há 10 anos. Me encantei tanto pela cultura e pelo lugar que hoje eu moro em Parintins. Me mudei para cá há dois meses. Fui à Manaus para voltar com a Caravana. Foi como eu iniciei na primeira vez que eu vim. Tenho certeza que será o maior Boi de Rua e o maior festival. Vamos levantar esse título”, enfatiza.

Fotos: Arleison Cruz

Caprichoso brinca de boi com torcedor na quarta noite de ensaio técnico

Uma noite para brincar e boi. Foi com essa proposta que o Caprichoso entrou na arena do curral Zeca Xibelão nesta sexta-feira, 17. Lembrando tradicionais festa de boi nos terreiros e quintais, o bumbá destacou a alegria de dançar Boi-Bumbá. Foram mais de duas horas de muita toada e a felicidade estampada no sorrido de cada torcedor que se emocionou com o espetáculo “Amazônia, nossa luta em poesia”.

O ideal da noite esteve na dança do bailado corrido, nos passos das tribos, na força dos taxadas, na vibração da galera. A performance dos itens individuais foi um show à parte. Os meses de ensaios refletiram em apresentações impecáveis, mesmo sem mostrar toda a coreografia de arena. Todos conduzidos pela cadência e energia da Marujada de Guerra, afinada para mais uma sequência de notas máximas no Bumbódromo.

Momentos indígenas, caboclos, negros, mestiços. A cada quadro cênico-coreográfico partes do projeto de arena foi apresentado com intensa participação da torcida, em reposta à emoção causada na arena. Para o presidente do Caprichoso, Jender Lobato, as apresentações do Caprichoso são permeadas de emoção. Para ele, “após dois anos de saudade, brincar de boi é continuar vivo, é lutar pelo povo amazônida, sua cultura e sua essência”.

O vaqueiro Hunison Lima, 42, é o mais velho no item 18 e brincou de boi a noite toda. Ele começou na vaqueirada aos 14 anos e precisava fugir da mãe dele para ir pro Bumbódromo. A felicidade de entrar na arena sagrada valia o risco. “Eu me arrepio nos ensaios. Eu me lembro quando eu entrei na vaqueirada com quatorze anos e até hoje eu sinto a mesma emoção e eu quero levar essa emoção quero lpro resto da minha vida. Eu fico até emocionado”, disse o vaqueiro, lágrimando ao final da entrevista.

O membro do Conselho de Arte, Edwan Oliveira, comemorou as quatros noites de apresentação do bumbá. “O Caprichoso proporcionou para aqui quatro espetáculos inesquecíveis. Isso pra gente é muito importante não só pela afinação técnica do projeto que vai ser apresentado na arena como a motivação, a felicidade, toda essa garra, essa energia que a galera trouxe pra gente. Então, é um resultado fantástico, resultado perfeito. Nós estamos super felizes, a galera está feliz e a gente está com essa certeza de que o nosso espetáculo foi preparado pra trazer o título de campeão do festival 2022”, concluiu.

 

Caprichoso contagia torcedores e caminha forte para o título do festival

A galera do boi negro de Parintins lotou o Curral Zeca Xibelão para mais um ensaio técnico de arena

 

A sintonia entre os itens do Caprichoso e a galera azul e branca tem sido a tônica dos ensaios técnicos de arena no Curral Zeca Xibelão. Nesta quinta-feira (16) não foi diferente. O talento dos artistas parintinenses e a energia da multidão formaram uma atmosfera de Bumbódromo para a terceira noite de ajustes do espetáculo “Amazônia, Nossa Luta em Poesia”.

Com um repertório arrebatador, o item 19 (galera) entoou grandes clássicos do Festival de Parintins junto com o levantador de toadas Patrick Araújo. “Os ensaios têm mostrado que nossa galera não vê a hora de estar na arquibancada. Sentir esse calor dias antes da estreia na arena é fundamental na preparação. Não vai faltar empenho de nossa parte para retribuir tanto carinho”, destaca Patrick Araújo.

Toadas como “Quem vai mandar é a multidão”, “É festa de novo!”, “Sentimento porreta”, “Feito de pano e espuma” estão na ponta da língua da galera e representam a garra e a força do Boi Caprichoso nesta temporada. As obras foram lançadas no período entre 2020 e 2022 e são destaques de acesso nas principais plataformas de streaming do mundo.

A Marujada de Guerra também foi um show à parte durante o ensaio, com uma levada e cadência contagiante. O item coletivo é conduzido pelo comandante Márcio Cardoso, estreante no Bumbódromo. Ele destaca que os marujeiros foram impecáveis nos ensaios semanais e assegura grandes momentos na arena. “Foram dois anos sem essa atmosfera, essa ansiedade típica de festival e a gente transformou tudo isso em trabalho, para conduzir o espetáculo musical do Boi Caprichoso com maestria”, comenta Márcio Cardoso.

O ensaio é concretizado sob o olhar atento do presidente Jender Lobato. “A cada noite, nossos itens e nossa galera se superam e nós estamos muito confiantes que faremos três grandes espetáculos no festival. Amanhã, na sexta-feira, vamos finalizar esta importante preparação e caminhar rumo ao Bumbódromo para conquistar o título de campeão para o Boi Caprichoso”, pontua o presidente.

Pajé e galera mostram força do Caprichoso na conquista do Festival de Parintins 2022

O canto da nação azulada se uniu à voz do levantador de toadas, Patrick Araújo, do apresentador, Edmundo Oran, e do pajé, Erick Beltrão, para transformar o segundo ensaio técnico do Boi-Bumbá Caprichoso em um grande espetáculo nesta quarta-feira (15/06). A galera foi a protagonista da noite marcada pela evolução dos itens individuais e coletivos afinados no curral Zeca Xibelão para consagrar o Boi Negro da Amazônia campeão do 55º Festival Folclórico de Parintins.

A luta pelos povos da floresta e pelos direitos da terra foram decantados pelo Boi Caprichoso com participação da galera em massa. O pajé Erick Beltrão e as tribos indígenas encenaram momentos
surpreendentes que arrancaram aplausos da nação azulada. “O momento cênico é muito forte e será ainda maior no Bumbódromo. Venho construindo uma apresentação verdadeiramente indígena e a interação da galera é uma energia que me enche de forças para representar essa nação azulada que tanto me apóia”, declara o pajé responsável por um dos momentos mais intensos do espetáculo.

O Boi Caprichoso está preparado para executar o maior espetáculo já visto na história do festival. Do curral Zeca Xibelão se ouviu o brado uníssono com o refrão da toada tema “Punhos erguidos aqui, de braços dados até o fim, liberdade é arte que triunfa e voa. Valentes guerreiros tutores, guardiões azulados protetores, cingidos de poesia, o nosso canto ecoa”. “Fiquei verdadeiramente emocionado com a galera do Caprichoso que espera um grandioso espetáculo e fizemos isso”, reconhece o presidente Jender Lobato.

O dirigente destaca que toda essa confiança depositada nos 21 itens, na diretoria e no Conselho de Artes se transforma em energia percebida no curral Zeca Xibelão. “Isso aqui é um ensaio, ainda não é na arena. Esse ensaio se transformou em um grandioso espetáculo que planejamos para que a gente possa, realmente, fazer três dias de grandes apresentações. O resultado disso, com muita fé em Deus, esperamos o máximo de todos os itens com o seu potencial no Bumbódromo e sermos consagrados campeão de um festival que vale por três”, assegura Jender Lobato.

Atento a cada detalhe da estratégia do projeto “Amazônia Nossa Luta em Poesia”, o presidente do Conselho de Artes, Ericky Nakanome, ressalta o momento importante de consagração do boi de vanguarda. “Um boi que deu início às questões relacionadas às revoluções dentro do festival. Não poderia ser diferente uma noite como essa, na qual o Boi Caprichoso traz para a arena um passo à mais no futuro, com novidades, possibilidades e abrindo uma série de caminhos pro festival folclórico”, enfatiza.

Fotos: Pedro Coelho