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CaprichosoO Boi de Parintins
Casas amazônicas sobre palafitas em Parintins

Desde 1913

A história do Boi Negro de Parintins.

Mais de cem anos de chão, sonho, luta e arena.

  1. 1913

    Nasce o Boi Negro no Reduto do Esconde

    Os irmãos Cid, vindos de Crato, no Ceará, dão vida a um boi de couro negro num quintal de Parintins, inspirados num boi homônimo que conheceram em Manaus. Nascido de pano, fé e gratidão, o brinquedo foi criado para cumprir uma promessa a São João — e nunca mais parou de andar.

  2. 1965

    O boi entra na arena

    O folguedo de rua se transforma em espetáculo de arena com o nascimento do Festival Folclórico de Parintins. A estrela azul ganha o grande palco que consagraria o Caprichoso diante de multidões.

  3. 1969

    O primeiro título oficial

    O Caprichoso conquista seu primeiro campeonato oficial do Festival e inaugura uma trajetória de vitórias que atravessaria décadas.

  4. 1982

    O boi passa a ser do povo

    O Caprichoso deixa de ter um dono e se transforma em associação cultural, dirigida por presidentes eleitos. Em 20 de março de 1982, é registrada a primeira assembleia e organizado o primeiro quadro de sócios. O boi que nasceu de uma família passa a pertencer a uma comunidade inteira.

  5. Anos 1990

    O Caprichoso ganha o Brasil

    Cobertura nacional, profissionalização da arena e reconhecimento como ícone de resistência cultural amazônica. O Festival entra na agenda do país.

  6. 1994–1996

    O primeiro tricampeonato

    Capricho dos Deuses, Luz e Mistérios da Floresta e Criação Cabocla. Três títulos seguidos que consagram a força artística do Boi Negro e o colocam no auge da arena.

  7. 2010

    A volta de David Assayag

    O reencontro com uma das vozes históricas do boi abre uma nova era artística na arena, marcando o início de uma das fases mais brilhantes do Caprichoso.

  8. 2012–2018

    Uma era de ouro na arena

    Títulos em 2012, 2015, 2017 e 2018. Espetáculos que renovaram a linguagem da arena e firmaram o Boi Negro como uma potência artística do Festival.

  9. 2022–2024

    O segundo tricampeonato

    Amazônia: Nossa Luta em Poesia, O Brado do Povo Guerreiro e Cultura: O Triunfo do Povo. Três títulos consecutivos que reafirmam o Caprichoso entre as maiores agremiações culturais do Brasil contemporâneo.

  10. 2026

    Brinquedo que canta seu chão

    Patrimônio vivo da Amazônia, o Caprichoso entra em 2026 carregando a memória de mais de cem anos de festa, fé e resistência.

Detalhe artesanal de traje do Boi Caprichoso

Os fundadores

Quatro irmãos, uma promessa.

Roque, Antônio, Beatriz e Pedro Cid vieram do Ceará para Parintins. Em 1913, fundaram o Boi Caprichoso para cumprir uma promessa a São João Batista. O brinquedo nasceu de pano, fé e gratidão — e nunca mais parou de andar.

O que era íntimo virou comunitário: hoje, o sonho dos Cid é comungado por uma Amazônia inteira.

Por que Boi de Parintins

Nove currais, uma cidade inteira.

Em suas primeiras décadas, o Caprichoso não tinha endereço fixo. A cada nova gestão, o boi mudava de curral e se instalava em um novo canto de Parintins — e foi essa caminhada pelos quatro cantos da cidade que lhe deu o apelido eterno de “Boi de Parintins”. Foram nove currais até que, no início dos anos 1980, o Boi Negro encontrou sua casa definitiva: o Curral Zeca Xibelão, na Rua Gomes de Castro, batizado em homenagem a um de seus mais icônicos tuxauas.

  1. 1913–1918

    Av. Sá Peixoto

  2. 1918–1931

    Av. Rio Branco

  3. 1932–1942

    Av. Sá Peixoto

  4. 1943

    Av. João Meireles

  5. 1944–1947

    Beco Castelo Branco

  6. 1948–1963

    Av. Rio Branco

  7. 1964

    Av. Rio Branco e Furtado Belém

  8. 1965–1967

    Parananema e Travessa Cordovil

  9. 1968–1981

    Travessa Cordovil

  10. Desde os anos 1980

    Curral Zeca Xibelão, Rua Gomes de Castro — a casa definitiva

Parintins, Amazonas — palco dos nove currais do Boi Negro.

De onde tudo vem

Antes da arena, a rua.

O Boi de Rua

A festa mais tradicional do Caprichoso acontece todo mês de abril e é onde o boi volta às suas origens. Sob fogueiras e lamparinas, com Marujada, Vaqueirada, Pai Francisco e Mãe Catirina, centenas de brincantes caminham pelas ruas da cidade, reunindo famílias nas portas das casas. O cortejo passa por pontos marcantes de Parintins, como a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, até chegar ao Curral Zeca Xibelão.

O auto do Boi

No coração da brincadeira está um auto popular de morte e ressurreição. Em seu ritual mais antigo, Pai Francisco abatia o boi para satisfazer o desejo de Mãe Catirina, e a língua do animal era retirada e oferecida ao dono da casa — gesto simbólico com que se arrecadavam recursos para os festejos do encerramento dos folguedos juninos. É dessa raiz de fé, fartura e teatro de rua que nasceu tudo o que hoje brilha na arena.

O Legado

As vozes e os corpos que carregaram o Boi Negro.

Mais de um século de papéis passados de geração em geração — cada nome, um capítulo da mesma história.

Levantador de Toadas

A voz que ergue a arena.

O levantador dá voz às toadas e conduz a galera no canto. Arlindo Júnior abriu caminho a partir de 1989, inovando com novas coreografias e, em 1996, inaugurando os medleys que eletrizavam a arena. Em 2010, David Assayag assumiu o posto e abriu uma nova era artística, permanecendo até 2020. Desde 2020, Patrick Araújo é a voz oficial do Boi Negro.

Apresentador

Quem narra e costura o espetáculo.

O apresentador guia o público pela apresentação, item a item. A função passou por Marcos Santos, Gil Gonçalves, Arlindo Júnior e Junior Paulain ao longo das décadas. Desde 2016, Edmundo Oran é o apresentador oficial do Caprichoso.

Cunhã-Poranga

A guerreira mais bela da tribo.

Símbolo de força e beleza indígena, é um dos itens mais aguardados da arena. Luisiana Medeiros a interpretou já em 1989 — no mesmo ano em que representou o Amazonas no Miss Brasil. Maria Azêdo marcou época entre 2007 e 2016. Desde 2017, Marciele Albuquerque, natural de Juruti, é a Cunhã-Poranga do Boi Negro.

Pajé

O guardião espiritual da tribo.

O Pajé conduz o ritual e a mística do espetáculo. Waldir Santana viveu o papel por mais de duas décadas, de 1992 a 2016 — uma das mais longas permanências da história do boi. Neto Simões o sucedeu, e desde 2020 Erick Beltrão é o Pajé do Caprichoso.

Porta-Estandarte

Quem conduz o pavilhão.

Carrega o símbolo maior da agremiação pela arena. Desde a pioneira Rosames Suely, em 1989, o posto passou por nomes como Marcela Pessoa, Lucenize Moura e Karyne Medeiros. Desde 2017, Marcela Marialva, natural de Manaus, conduz o pavilhão azul.

Sinhazinha da Fazenda

A dama do auto.

Protagoniza o auto do boi com elegância e presença cênica. A linhagem tem uma simetria bonita: começou com Karina Cid, em 1993, e hoje é conduzida por Valentina Cid, da mesma família que ajudou a fundar o boi — no posto desde 2017.

Rainha do Folclore

A soberana da festa.

Representa a realeza e a tradição da brincadeira. Inah Lopes a interpretou já nos anos 1980; Brena Dianná marcou o posto por quase uma década, de 2009 a 2018. Desde 2018, Cleise Simas é a Rainha do Folclore.

Amo do Boi

A voz dos desafios.

Figura que entoa os desafios e comanda a brincadeira, herança direta do boi de rua. Rey Azevêdo abriu a era pós-Bumbódromo, em 1984. Ao longo dos anos, o posto passou por Edilson Santana, Edmundo Oran e Herland “Prince do Boi” Pena (2017–2024). Desde 2025, Caetano Medeiros é o Amo do Boi.

Boi-Bumbá (Evolução)

O legado dos Azevedo. Os corpos que fazem o boi dançar.

Este é o item que dá vida ao próprio boi: o tripa veste a estrutura e a faz evoluir na arena, transformando madeira e pano em movimento. E em nenhum outro item a ideia de herança é tão literal — porque o Boi-Bumbá Evolução do Caprichoso é, há mais de trinta anos, história de uma família só. Marcos Azevedo, o “Markinhos”, marcou época como tripa de 1990 a 2016, tornando-se uma das figuras mais queridas dos bastidores do boi. O legado passou para Alexandre Azevedo, filho de Markinhos, que assumiu em 2017. E desde 2025 o bastão segue na mesma família com Edson Azevedo Jr., sobrinho de Markinhos — três gerações fazendo o Boi Negro evoluir na arena.

Marcos “Markinhos” Azevedo, tripa histórico do Boi Caprichoso
Marcos “Markinhos” Azevedo — tripa do Boi-Bumbá Evolução de 1990 a 2016.

O lado social

Mais que um boi: uma escola.

Desde 1997, o Caprichoso mantém a Escola de Artes Irmão Miguel de Pascalle — a “Escolinha de Artes Caprichoso” — criada na gestão do presidente Joilto Azêdo. Começou tímida, com cerca de 50 crianças. Hoje, atende mais de 700 jovens, de 7 a 20 anos, em iniciação artística, apoio ao esporte e reforço escolar. A escola é aberta a qualquer criança matriculada na rede de ensino — porque, antes de formar artistas para a arena, ela forma gente.

A festa além da ilha

O Caprichoso em Manaus.

Há mais de 30 anos, o Bar do Boi leva o espírito do Caprichoso para Manaus. Promovido pelo Movimento Marujada, o evento reúne todos os itens, bandas e grupos de dança do boi num grande show, e se tornou uma das principais vitrines do Festival Folclórico de Parintins para o Brasil e o mundo.

Sabia que?

Três curiosidades que contam o Boi Negro.

O nome veio de longe

O Caprichoso de Parintins foi batizado em homenagem a um boi homônimo que existia em Manaus, no início do século XX.

O preto como afirmação

A cor negra do Caprichoso é uma escolha de identidade — símbolo de força, mistério e afirmação do povo amazônico.

Curral Zeca Xibelão

A sede do Caprichoso leva o nome de Zeca Xibelão, icônico tuxaua da história do boi, e é o coração da galera azul durante todo o ano.

Continue a viagem

Mais de cem anos cabem em três caminhos.

Mais de cem anos de arena

Conquistas do Boi Negro.

Dois tricampeonatos. 26 títulos. Um único empate em mais de cem anos de arena. A história do Caprichoso é escrita em azul e superação.

26
Títulos oficiais
2
Tricampeonatos (1994–1996 e 2022–2024)
1913
O ano em que tudo começou
1
Único empate da história (2000)

Títulos por ano

26 títulos
1969Campeão
1972Campeão
1974Campeão
1976Campeão
1977Campeão
1979Campeão
1985Campeão
Negrão Maravilha
1987Campeão
Revolução da Arte no Mundo
1990Campeão
Raízes de um Povo
1992Campeão
A Arte de Folclorear
1994Campeão
Capricho dos DeusesTricampeonato 1994–1996
1995Campeão
Luz e Mistérios da FlorestaTricampeonato 1994–1996
1996Campeão
Criação CaboclaTricampeonato 1994–1996
1998Campeão
85 Anos de Cultura
2000Campeão (empate)
A Terra é Azul
2003Campeão
90 Anos de Raízes e Tradições na Amazônia
2007Campeão
O Eldorado é Aqui
2008Campeão
O Futuro é Agora
2010Campeão
O Canto da Floresta
2012Campeão
Viva a Cultura Popular!
2015Campeão
Amazônia
2017Campeão
A Poética do Imaginário Caboclo
2018Campeão
Sabedoria Popular: Uma Revolução Ancestral
2022Campeão
Amazônia, Nossa Luta em PoesiaTricampeonato 2022–2024
2023Campeão
O Brado do Povo GuerreiroTricampeonato 2022–2024
2024Campeão
Cultura — O Triunfo do PovoTricampeonato 2022–2024
Capítulo histórico

Os dois tricampeonatos

Em mais de cem anos de arena, o Caprichoso conquistou dois tricampeonatos — 1994–1996 e 2022–2024. São os únicos trios de títulos consecutivos da história do Boi Negro.

1994
Campeão
1995
Campeão
1996
Campeão
2022
Campeão
2023
Campeão
2024
Campeão
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